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terra.território

"[...] a configuração espacial é um dado técnico, enquanto o espaço geográfico é um dado social" (SANTOS).

 

“[...] a arquitetura acontece quando nossas ideias sobre ela adquirem a condição real que apenas os materiais podem oferecer. É aceitando e cedendo às limitações e restrições, no ato da construção, que arquitetura se torna o que de fato ela é.” (MONEO, apud CAMARGO).

 

No dia 16 de setembro de 2015, 2.343 famílias migraram para a Zona Norte de Presidente Prudente para se abrigar no que se tornou o maior empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida até então. Dez anos depois, ainda persiste uma dissociação entre as práticas culturais e políticas da comunidade e o reconhecimento do bairro como seu território. 

 

A intervenção terra.território é uma obra de arquitetura cultural executada nesta comunidade. O projeto se propôs a conceber [experimentar] e construir tendo o canteiro como ação educativa transversal que revelaria a consistência do seu designo em ser um espaço geográfico.

Ele foi executado com tijolos de solo cimento feitos em uma pequena empresa da região, lançou mão do sistema modular como desenho e da pré-fabricação como sistema construtivo. Todo o processo foi feito em autoconstrução.

O projeto também se propõe a ser resistência, e resistir passa pela permanência do debate e do fortalecimento da cultura arquitetônica territorial e construtiva.

Ao criar um espaço de encontro, cultura e fortalecimento dos laços sociais a construção desse pavilhão comunitário tem a intenção de resgatar a coletividade e a vida pública frente a necessidade de reverter o isolamento apontado por autores como Byung-Chul Han em ‘A Sociedade do Cansaço’.

O espaço, uno e múltiplo, por suas diversas parcelas, e através do seu uso, é um conjunto de mercadorias, cujo valor individual é a função do valor que a sociedade, em um dado momento, atribui a cada pedaço de matéria, isto é, a cada fração da paisagem, é a conexão entre a terra e o território. A paisagem, no entanto, se dá como um conjunto de objetos reais-concretos. Nesse sentido a paisagem é transtemporal, juntando objetos passados e presentes, uma construção transversal. O espaço é sempre presente, uma construção horizontal, uma situação única. Cada paisagem se caracteriza por uma dada distribuição de formas-objetos, providas de um conteúdo técnico específico. Já o espaço resulta da intrusão da sociedade nessas formas-objetos. Por isso, esses objetos não mudam de lugar, mas mudam de função, isto é, de significação, de valor sistêmico. A paisagem é, pois, um sistema material e, nessa condição, relativamente imutável: o espaço é um sistema de valores, que se transforma permanentemente.

Milton Santos afirma que “o espaço geográfico é uma categoria social e histórica”, ora a configuração espacial é um dado técnico, enquanto o espaço geográfico é um dado social, ele destaca que o espaço urbano, ou o espaço físico, é muito mais do que a superfície territorial — ele é carregado de sentidos, relações e histórias que as pessoas vivem e construíram ao longo do tempo. Essa distinção entre terra enquanto espaço físico e território enquanto espaço vivido evidencia que o território é uma construção social, cultural e política, formada por memórias, práticas e identidades coletivas.

 

Assim, no bairro João Domingos Netto, o pavilhão representa esse encontro entre a terra — o espaço físico de moradia e também da materialidade presente — e o território — esse espaço de experiências, memórias e pertencimento. A proposta do projeto "terra.território" visa justamente transformar a simples utilização do espaço em um espaço de convivência, de cultura, de diálogo e de resistência, promovendo a apropriação coletiva e subjetiva do bairro, fazendo dele um verdadeiro território de vida e resistência social, superando a narrativa da violência e reforçando o sentimento de pertencimento.

 

O espaço é a sociedade, e a paisagem também o é, no entanto, entre espaço e paisagem o acordo não é total, e a busca desse acordo é permanente; essa busca nunca chega a um fim. Esse debate atravessa o necessário RECONHECIMENTO DA CULTURA ARQUITETÔNICA REGIONAL cujos saberes perpassam suas narrativas territoriais.

“Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”. (FREIRE)

 

Santos, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção / 4. ed. 2. reimpr. - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006. - (Coleção Milton Santos; 1)

 

Camargo, M. J. de. (2010). O canteiro experimental: 10 anos na FAUUSP. PosFAUUSP, 28, 284-285.

 

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 66º ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2018.

metodologia participativa

A ação, antecedendo a construção do pavilhão, realizou algumas ações de escuta pública na E.M. Diretor José Roberto dos Santos e ação educativa no I.E. F.

informações

realização

Escola Aberta no Galpão

coordenação técnica e arquiteta líder

Cristiana Pasquini

coordenação executiva

Antonio Neto

coordenação extensiva

Gabriel Gazoni

Juliana Barreto

estagiários

Bruno Dias Felício

Juliana Acássia

Anni Pedreira

Joyce Camargo

fotos

Promoclau

Nathália Campos

Cristiana Pasquini

agradecimentos

Valentina Romeiro - Sec. de Cultura de Pres. Prudente

Karina Gomes - Sec. de Educação de Pres. Prudente

Fabiana Goes - Diretora E.M. Dir. José Roberto dos Santos

I.E. Fernando Costa

fomento

Edital Lei Paulo Gustavo n. 24/2023

Sec. de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo

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